5 formas de o google se intrometer nos seus planos de carreira

Já aqui expliquei porque a gestão da reputação deve ser uma prioridade para todos os que têm informação pessoal online, e como os resultados de uma busca podem afectar a forma como somos recebidos por um cliente ou diminuir as possibilidades de conseguir aquele emprego. Vejamos agora 5 exemplos concretos de como a eficiência do Google aliada aos preconceitos de um recrutador podem colocar em causa candidaturas de 5 candidatos capazes.

O Caso Excentrada

Tomemos como exemplo o recrutamento na empresa Excentrada, uma média empresa lisboeta, reputada pelo seu excelente ambiente de trabalho e benefícios, no mercado à procura de dois directores regionais de vendas.

O departamento de RH enviou ao Sr. Silva, director-geral, as candidaturas de 15 candidatos pré-seleccionados com um post-it “todos excepcionais”. O sr. Silva que não gostava de entrevistas e raramente aceitava fazer mais do que 6 para cada posição, inspeccionou cuidadosamente a documentação e deu por si a concordar que seria difícil deixar alguns candidatos de fora da entrevista. Decidiu procurar mais informação sobre os candidatos com a ajuda do google. Rapidamente descobriu algumas informações interessantes que alguns dos candidatos não haviam declarado no seu currículo:

1.Tiago D. era membro de uma associação de doentes cardíacos, e aparentemente bastante activo. O sr. Silva interrogou-se se Tiago se ausentaria frequentemente por motivos de saúde…

2. Pedro A. fora suspeito de envolvimento em fraude fical no concelho vizinho ao seu; em tribunal for absolvido por insuficiência de provas. A notícia saira em vários jornais e o sr. Silva não tinha muita vontade de confrontar o Pedro sobre esta história.

3. Rui B., tinha no seu perfil do Hi5 fotos de uma amiga semi-nua e de outra que aparentava fumar drogas. A sua foto de perfil deixava antever um espírito rebelde e militante. O sr. Silva achava que as fotos do Rui não lhe diziam respeito mas porque carga de água as publicava ele online, não sabia.

4. Leonel V. publicava um blogue dedicado ao marketing de vendas, com 3/4 entradas semanais, normalmente longas e cuidadosamente documentadas. O sr.Silva, que não achava muita piada a blogues, ficou bastante agradado com este, até que notou que todas as entradas eram publicadas por volta das 10:3o da manhã. Interrogou-se quantas horas de trabalho o blog lhe roubaria…

5. Miguel C. participa activamente em, pelo menos, 2 foruns. Apesar da sua personalidade cooperativa e empática, ao teclado Miguel aparenta ser um autor prolífico e impulsivo que se vê frequentemente envolvido em zaragatas malcriadas e discussões intermináveis. O sr. Silva imaginou o quão interessante não seria ter alguém no escritório que o pusesse constantemente em causa… Na verdade, não.

O sr. Silva decidiu enviar à secretária 10 candidaturas para entrevista, deixando de fora estas 5. Não estava certo de tudo o que lera na internet mas não se imagina a revelar aos candidatos que procurara informação sobre eles no google. Para mais tinha a vaga noção de que o que fizera não era aprovado pela lei…

Em verdade…

Se tivesse confrontado os candidatos com a informação saberia que:

Se estas situações lhe parecem irreais é porque o são. Tive o cuidado de seleccionar 5 exemplos em que os candidatos são absolutamente inocentes, quando o mais provável é que sejam responsáveis por atitudes e comportamentos como os descritos, o que de forma alguma faz deles piores candidatos que os demais. Há quem concilie uma doença grave com uma carreira exigente, quem tenha cometido erros graves e aprendido uma valiosa lição, quem publique blogues durante o horário de trabalho sem que a sua produtividade seja afectada, e quem publique informação comprometedora na internet associada ao seu nome sem que isso faça de si um tarado ou um caso mental. Se perguntassem directamente ao sr. Silva ele até seria capaz de concordar. Todavia, a sua racionalidade limitada levou-o atribuir a esta informação a importância que ela não merece, ignorando que também os outros 10 candidatos têm idênticas imperfeições, apesar de elas não aprecerem no google.

E se fosse consigo?

Caro leitor, consegue imaginar outras situações em que uma busca pelo nome da pessoa revela informação relativamente inócua e ao mesmo tempo possivelmente comprometedora? Deixe a sua sugestão nos comentários. Com o decorrer do tempo teremos cada vez mais situações destas, embora sejam difícil de detectar dado que os Silvas deste mundo preferem ignorar o candidato a confrontar o candidato. E há ainda o pormenor da lei, que estou em crer não permite que recrutadores recolham informação sem a autorização dos candidatos (sabia disto? Mas se ninguém vê e não se pode provar…)

Na próxima semana abordarei nesta série dedicada à gestão da reputação online algumas sugestões para lidar com estes resultados, de forma a informação que pretendemos reservada não surja (facilmente) nos resultados do Google.

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