Bolha 2.0? O teste Accoona
Ciclicamente surgem na blogoesfera e nos media relatos alarmantes dando conta da proximidade do rebentar de nova bolha especulativa, comparando-a à original era dotcom do virar do século. Há alguns sinais visíveis, como vendas de empresas por valores bastante superiores ao seu valor de mercado e notícias semanais de financiamentos na ordem dos milhões aos “próximos” googles, facebooks ou myspaces. Todavia, existem pelo menos três bons motivos para acreditar que o próximo crash será diferente do primeiro.
Para começar, no final dos anos 90 poucas eram as vozes a alertar a chegada do tempo das vacas magras. Os poucos que se davam conta estavam ocupados a vender “pedaços de caca” na bolsa. Hoje há não só uma vasta audiência atenta a quaisquer indícios de sobreaquecimento que possam surgir como os financiamentos não avançam sem um plano de negócios. Irrealistas talvez, mas há uma ideia para criar valor que não o recurso ao IPO (oferta publica inicial).
Segundo, os negócios e as empresas de hoje são realistas e circunspectos comparados com os milhares de milhões esbanjados nos anos 90. Sabia que a webvan.com chegou a estar cotada nos 1200 milhões de dólares? Quem?
As novas startups são financiadas, no máximo, com algumas dezenas de milhões de dólares, raramente atingem as centenas e as mais bem sucedidas vendem por um múltiplo razoável. As excepções, como a Doublelick e aQuantative possuem argumentos excepcionais e um modelo de negócios testado e comprovado.
Terceiro, já existe pelo menos um precedente em como os intervenientes do mercado não estão dispostos a comer o que lhes põem na mesa. Falo na Accoona, cujo IPO foi recentemente rejeitado:
This is an underwriter that almost no one in the tech community has ever heard of. And it [o candidato a promotor do IPO] has decided that it’s relationship with Accoona is so damaging to its reputation that it has to publicly bash the company.
Blodget (que passará à história associado ao acrónimo PoS..) já antes analisara este suposto “motor de busca” (lembram-se quando foi notícia?) em termos muito pouco simpáticos:
In an industry in which most companies with viable business models have long since turned profitable, and in a stock market headed to hell in a handbasket, we won’t be touching this one with a ten foot pole
Blodget prevê que o destino do mercado de valores esteja prestes a mudar (”num cesto a caminho do inferno”), pelo que não será de admirar que muitas destas empresas fiquem de repente sem financiamento, sem clientes e sem margem de manobra. E, ainda que as empresas de internet possam ser afectadas mais duramente que as outras, será possivelmente a conjuntura económica a determinar a sua queda.
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