Google com notícias próprias no Google News

google newsNão deixa de ser irónica que na mesma semana em que no Economist se fala do medo do Google em relação a vários produtores de conteúdos e “newspaper owners feel that Google has grown by using their content without paying for it” a empresa anuncie um novo acordo com a AP e outras agências para «remover duplicados» - um eufemismo para dizer que vai alojar as histórias da AP no seu site e remover todas as outras cópias que são publicadas pelos jornais.

Para os leitores do serviço esta é uma boa notícia. Em vez de apresentar dezenas de histórias, a maioria das quais decalcadas da notícia publicada nas agências e sem qualquer valor adicional, tem agora uma fracção das histórias à escolha, mas supostamente, são todas são originais. Quem de entre os leitores do Google News não desistiu frustrado por todas as histórias que encontrou serem versões da mesma notícia da AP ou da Reuters? Isto admitindo que o Google mantém uma postura isenta e resiste à tentação de favorecer as suas histórias algoritmicamente.

Para os jornais a notícia já não é tão positiva, o google está efectivamente a desintermediá-los, depois de ao longo dos anos ter construído o serviço com base nas suas notícias. Aliás, o facto desta entrada ter sido publicada numa sexta-feira anterior a um fim de semana prolongado (na América) é tudo menos inocente: a sexta-feira é normalmente o dia escolhido para despejar notícias desagradáveis.
Depois da compra do Youtube, esta notícia “confirma” as suspeitas dos media de que o Google não se limita ao papel de regulador e quer também ser jogador. Um concorrente, portanto.

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Comentários

20 Respostas para “Google com notícias próprias no Google News”

  1. Leonardo a September 4th, 2007 12:16

    Mas o que querem os jornais afinal? Reclamam se o Google usa suas notícias e reclamam se não as usa…

  2. Rodrigo Fante a September 5th, 2007 8:59

    A verdade é que os jornais estão se sentindo ameaçadas como nunca se sentiram, pressionados pelas próprias edições online, blogs, google, vem tiro de todo lado e a maioria não sabe o que fazer, não entendem que não adianta lutar, precisam aprender que o mundo muda, e que precisam mudar com ele.

  3. António Dias a September 5th, 2007 9:04

    Exacto, Rodrigo. É doloroso mudar.

  4. Paulo Querido a September 5th, 2007 12:33

    Hum… Eu ando há mais de 25 anos mos jornais e no período vi ocorrerem mudanças deste nível. Não uma mas várias.
    Vi os jornais deixarem de ser estatais para passarem à economia (e ao direito) privada.
    Vi jornais, jornalistas, redacções inteiras, legiões de gente, de tipógrafos a gráficos, passarem do chumbo ao off-set e duas décadas depois, do off-set ao desktop publishing.
    Vi passarem do telex ao fax e do fax ao e-mail.
    Também no circuito de distribuição vi grandes mudanças.
    O desaparecimento dos ardinas, por exemplo. Grande parte dos jornais, sobretudo dos diários, eram vendidos por ardinas que os iam buscar à saída da máquina.
    As empresas de distribuição sofreram grandes evoluções: perderam a autonomia e foram compradas ou integradas em grupos de media.
    De uma miríade de publishers, o mercado passou para uma pequena quantidade de grupos.
    É claro que o mundo dos media é feito de mudança e a mudança actual comporta perigos.
    Não é menos claro que o sector está habituado a mudanças. Constantes. Profundas. Algumas, sangrentas, impiedosas.
    Faz sentido dizer que os jornais estão pressionados, não faz sentido nenhum dizer “como nunca”: eles nunca deixaram de estar pressionados pelas mudanças, fossem elas tecnológicas, de paradigma, de modus operandi, até de modelo de negócio.

  5. pedro silva a September 5th, 2007 13:48

    Paulo querido: as mudanças de que fala eram mudanças de “industria”. Visíveis, materiais, corpóreas.

    Estas não são isso. São mudanças simbólicas, virtuais, quase imperceptíveis.

    Significam que os jornais deixaram de ser players únicos, e que tem que virar-se para a credibilidade, como também um produto a vender, coisa que não tem feito.

    Agora estão a pagar por isso. E continuam a não aprender.

    E do ponto de vista de canal de distribuição, os jornais teriam que “fechar” o Google e as agências noticiosas dizendo-lhes claramente especialmente à agências que; ou trabalham para o Google ou trabalham também para nós. Estar nos dois lados ao mesmo tempo, vendendo a mesma marca como o Google faz, isso é que não.

    Aliás isso é que qualquer empresário que quer vender para lojas ou para hipermercados faz. Divide marcas e não mistura a mesma marca em dois canais diferentes de distribuição. Não permite isso.

    Aqui os jornais estiveram a trabalhar para o Google chegar a dois canais de distribuição.
    Com os blogs podem gozar e humilhar;com o Google não podem fazer isso dado que é um peso pesado.
    Agora lixaram-se.

    Em Portugal ainda é pior, porque os jornais online nem sequer são bons. Portanto vão sentir mais a cacetada.

    Volto à credibilidade: quando os jornais aceitam receber “notícias” emanadas da Lusa e apresentam isso - uma notícia filtrada - ao público consumidor como sendo um acto de jornalismo puro, ferem-se a si próprios e destroem a sua própria credibilidade.
    Isto devia ser óbvio para os gestores de produto “jornal”.
    Pelos vistos não tem sido.

  6. Paulo Querido a September 5th, 2007 14:35

    Caro Pedro Silva,
    estou em rota de colisão com os seus argumentos :)

    As mudanças em curso não são apenas simbólicas, muito menos virtuais (pelo contrário, são profundamente reais, directas à carne e ao sangue da indústria mediática as we know it) e de imperceptíveis não têm nada.
    Os jornais eram players únicos — e veio a rádio.
    Os jornais já não eram players únicos, dividiam o “palco” com a rádio — e veio a televisão.

    Se há coisa que os jornais estão habituados a fazer, é a aprender e a moldarem-se a novas realidades. (Não é por aqui que a porca torce o rabo, embora a porca torça o rabo.)

    O Google não é um canal de distribuição. É, quando muito, um canal de promoção. Uma montra. Passageira, ainda por cima. Hoje é importante, mas amanhã não se sabe.

    Não comento essa do gozo e humilhação com os blogues: o Pedro está a ver o filme ao contrário.

    Está equivocado quanto à credibilidade. Na verdade, o que os jornais fazem — e podem continuar a fazer — é no ramo da credibilidade. Os bloggers sabem disto muito bem. Os da política (que é o que interessa, dizem) quase tudo o que fazem, fazem a tentar a) chamar a atenção dos jornais, b) influenciar a agenda dos jornais e c) a coroa de glória, serem citados nos jornais. Essas citações são a melhor forma de os credibilizar enquanto fontes emissoras. Melhores que construir uma reputação perante as respectivas audiências na web — o que é mais difícil, demorado e… arriscado.

    Está equivocado quanto à credibilidade noutro ponto ainda: os jornais não “aceitam receber” notícias “emanadas da Lusa”: os jornais COMPRAM o noticiário da Lusa e, dependendo do contrato e das relações, podem usar o material pelo qual pagaram da forma como quiserem. Podem, inclusive, usar sem citar a origem autoral (não confundir com fonte). Citam porque é correcto, é boa educação e ajuda à transparência. Podem meter uma linha de um telex da Lusa num artigo, podem publicar parte do artigo, podem publicar o artigo todo editando o título (e eventuais gralhas), podem fazer o que quiserem com o que compraram.

    O Pedro aparentemente está a confundir este tipo de contratos, que são normais entre jornais (e outros títulos de media) e as agências (Lusa, Reuters, etc), com a apropriação indevida e descarada do noticiário em geral que é a prática comum nos blogues.

  7. pedro silva a September 5th, 2007 18:03

    Paulo querido: vamos lá a ver se eu me explico melhor…

    Quando eu falo em virtuais é no sentido de que o , chamemos-lhe assim, consumidor do (chamemos-lhe assim) produto informação, o grande público tem pouca ou nenhuma noção de que isto está a acontecer. É para essas pessoas que são a grande maioria imperceptível isso.
    Há 50 anos ou 100 anos abria uma rádio. Existia um “bruaaa” e toda gente “entendia” que existia algo de novo.
    Agora não. Do ponto de vista dos jornais/jornalistas obviamente que concordo consigo que os intervenientes lá dentro do sistema sentem a pressão e as mudanças. E que cronologicamente isso sucedeu também quando existiam jornais e depois veio a rádio e depois veio a televisão, etc…

    Ok , nada a opor.
    Mas “isto” não me parece ser o mesmo que está a acontecer.
    Antes acontecia a existência/ descoberta tecnológica de um meio novo que passava a concorrer com os existentes. Mas eram tendencialmente canais de comunicação/distribuição separados. Par o consumidor era facilmente entendível isso- a distinção.

    Agora isso não é entendível/perceptível com esta junção do Google - o Google está metido em dois canais, num é arbitro; noutro é jogador e no que é arbitro tem o poder de expulsar jogadores do outro canal.

    Dou um exemplo prosaico. Estou a experimentar um Ubuntu. Não tenho lista de favoritos. Meti o yahoo como motor dde busca e chamei um blog de bola que visito em XP. O yahoo deu-me resultados de páginas em arquivo, não a principal. Mudo para o Google e a primeira que aparece é logo a do blog que eu queria.

    Neste micro exemplo, se o 2º do ranking falha tão clamorosamente numa coisa tão simples, isso indica que o Google está anos luz em SEO dos outros todos e por lá ficará durante muito tempo.

    Ok, você diz-me que o Google não é um canal de distribuição. Não é no sentido tradicional , mas é noutro sentido, que é o de o Google ser “O CANAL todo de distribuição. Eles estão a começar a adquirir características de canal monopolista de distribuição. De tudo e não só notícias. Eles sãoa montra, para pegar nas suas palavras, mas a montra que só ela se está a ver.

    Serão passageiros? Já acreditei mais,sinceramente.

    E quanto aos blogs eu obviamente estava a falar em sentido geral, não a especificar relacionado comigo,nem com os blogs de vedetas, chamemos-lhe assim. No entanto e de facto, os jornais menosprezaram o efeito dos blogs( indirectamente liderado pelo Google…)

    Para a credibilidade tenho que o picar dizendo que o Paulo está a ser juiz em causa própria/ puxar a brasa à sua sardinha/defender a sua dama,etc.

    Honestamente existe credibilidade em alguns jornais e jornalistas e não xiste credibilidade alguma em alguns jornais e alguns jornaliastas/grupos de comunicação em Portugal.

    Há “notícias” que se percebe (á esquerda e à direita, note-se) que são claramente fabricadas e manipuladas e não são uma ou duas , são às dezenas. Lá que me diga que no Expresso isso não acontece que o Paulo saiba, ok, dou de barato.

    Agora a imagem que transparece para fora é que os jornais em Portugal pelo menos não tem qualquer tipo de credibilidade.

    Os jornais compram o noticiário da Lusa.
    Pergunto eu; porquê?
    Porque não o produzem por si sós? Conseguiriam fazer certamente melhor do que a Lusa.

    Aliás, se existisse alguma visão estratégica dos donos dos jornais cá na paróquia avançavam para a criação de um agregador de noticias, de uma “agencia Lusa” de jornais, feita para jornais.

    Precisamente para evitar aquilo que o Paulo diz; “dependendo do contrato e das relações…”

    Pois a questão está aí; qual o tipo de contrato e as relações que se tem… logo isso é um pequeno condicionamento à credibilidade dos jornais, especialmente porque se sabe que a Lusa “reorienta” a sua pose consoante existem eleições e mudanças de governo.

    E o Paulo anda há suficientes anos nisto para saber que a credibilidade demora muito tempo a ganhar-se, mas a perder-se é só num minuto.

    Eu sou especialista nisto porque não tenho credibilidade nenhuma, ou melhor, esforço-me com denodo e pundonor para furar o fundo e baixar mais o patamar da não credibilidade - estabelecer um novo record..para baixo :-)

    Quanto as praticas dos blogs é verdade, mas apenas no sentido em que o blog copie a noticia e não indique a fonte.
    Eu pessoalmente faço de duas maneiras: ou não linko mas insiro texto a dizer que o jornal de tal publicou isto no dia x; com a data x , edição x , ou então insiro ligação.

    Normalmente não faço cópia sem indicar ou por texto ou por link a partir de um jornal. Mas sei que existem pessoas que o fazem e bastantes,suponho.

    Agora quer na linkagem ou na publicitação do nome d eum jornal sem linkagem, aí desculpe lá mas a troca é reciproca blog/jornal porque um(blog) aproveita-se do conteudo do outro( jornal) e o outro( jornal) retira publicidade e boca a boca promocional e nos tempos que correm isso vale bastante - é intangivel como valor ,mas vale bastante, porque aumenta o pronunciamento do nome do jornal.

    Nota aparte: Quanto aos “blogs da politica” percebo-o perfeitamente. Mas repare, os jornais aí já perderam.
    Quando uma pessoa como o João Miranda é convidado para escrever no DN, esse, sozinho, consegue rebentar com a credibilidade não só do DN mas dos outros jornais todos.

    E com esta seta venenosa depreciativa me fico…( está aver o que eu lhe dizia? É assim que eu faço;auto destruo a minha credibilidade nas caixas de comentários com esta facilidade toda…a descascar pessegueiro no pior blogger do hemisfério norte - pelo menos…)

  8. António Dias a September 5th, 2007 22:42

    Ena, vocemesses escrevem para caramba ;) Eu vou ler amanhã e respondo que estou a cair para o lado…

    Deixo só esta imagem provocatória à consideração…

  9. Paulo Querido a September 5th, 2007 22:56

    eheh, pano para mangas.
    Já volto.

  10. Paulo Querido a September 5th, 2007 23:29

    Caro Pedro,

    juiz em causa própria — ok. Mas tenho de perguntar: em que causa? É que eu estou nas duas, no jornalismo e nos blogues.

    Convivemos com a “manipulação” de notícias desde sempre. Eu, desde que leio jornais. Não penso que hoje haja mais manipulação, pelo contrário. O que acho, sim, é que em geral há mais meios envolvidos em grupos económicos e que por via isso são permeáveis às grandes orientações. Não falo da política, falo da economia. Conte o número de notícias do grupo da TVI sobre problemas na área da Saúde, compare com os outros media — e procure uma explicação, ou pistas, no emaranhado de accionistas dos grupos.

    Quanto à política: pachecos pereiras sempre houve, a começar pelo próprio, que exerce o spinning há duas décadas a partir das colunas dos jornais; modernizou-se com um blogue? Fixe, ainda bem — mas qual é a importância disso para a credibilização ou descredibilização dos jornais?

    As influências directa e indirecta e a manipulação vêm de trás, não nasceram com a blogosfera. Os jornais não estão hoje pior nesse aspecto do que estavam há dez anos ou mesmo cinco. O que muda não são os jornais, são os protagonistas da política.

    Se esmiuçarmos mais a coisa, verá que aquilo que hoje é a direita tem muito mais influência e peso nos media, quando tomados como um todo, do que a esquerda. A diferença é que hoje é esta que está no poder.

    Há um velho chavão que diz que o jornalismo faz-se sempre em oposição.

    Os jornais compram o noticiário da Lusa (e das outras agências) por razões económicas. Sai mais barato organizar esta espécie de cooperativas do que todos fazerem o mesmo, irem cobrir os mesmos acontecimentos. Não conseguiriam fazer tanto (não discuto o melhor: é uma opinião). Garantidamente.

    Penso que a Lusa tem como accionistas a maioria dos jornais e grupos, senão mesmo todos. A Lusa é uma sociedade anónima com 17 accionistas e maioria de capital público (50,14%).

    A Lusa segue de perto a Administração. E sendo a maioria de capital público, funciona muito como o órgão do governo. É repetidamente criticada por isso, quando convém… E quando não convém, não se critica.

    Sobre o DN: já resistiu a vendavais incomparavelmente piores que João Miranda, pobre coitado. Ele bem se esforça, mas apesar de tanto suor não lhe vejo dimensão para provocar assim tão grandes estragos. Não o sobre-estime: ele adora ;)

    Abraço

  11. pedro silva a September 6th, 2007 8:56

    António: nunca me enganaste. Mandaste um link ao bruno Amaral a falar das más relações que se tem com alguns blogers… Claramente destinado a mim ( isto é que é paranóia…) :-)

  12. pedro silva a September 6th, 2007 9:29

    Paulo:

    “”"Mas tenho de perguntar: em que causa? É que eu estou nas duas, no jornalismo e nos blogue”"”

    Ó Paulo, mas esse é qeu é o seu problema. Noites angustiadas a pensar de que lado da barricada está. A pensar; mas em que pele me sinto hoje?
    Essa dualidade manifesta-se e qualquer dia você decide que tem que se retirar para uma qualquer sitio remoto como eremita… :-)
    Imagino-o a levantar pela manhã e a perguntar: “oh, mas quem sou eu hoje?…”

    E quanto à manipulação: sinceramente penso que aumentou,quer em tamanho, quer em qualidade da mesma, isto nos sentido de se tornar cada vez mais sofisticada.

    Penso que politicamente e economicamente, nas duas vertentes aumentou imenso.
    TVI, concordo, mas não é só a TVI , são todas as estações de televisão, rádios, jornais.

    Olhe, eu falo por mim, que pura e simplesmente deixei de comprar jornais, porque não dá. Noticiários é o mínimo indispensável. Porque não dá.

    Quanto à política e Pachecos pereiras,concordo que sempre houve. O problema, por exemplo, é a influência desmesurada, a importância que muita gente atribui às opiniões desse senhor que é pura e simplesmente completamente desmesurada.
    É o pior que poderia ter acontecido à blogosfera portuguesa existir lá o Sr pereira. E o jogo de trafico de influencias que ele faz e joga, manipulando completamente de uma forma sinuosa e distorcida um meio de comunicação que em Portugal deveria ser bem melhor do que é dado o tamanho do mercado.
    E em vez disso temos um clube político pseudo restrito que o Sr Pereira pretende liderar e tornar pequeno e exclusivo.
    Para si que conhece o meio, o homem não se modernizou com um blog;aliás, o blog dele não vale nada.

    Mas isso é para si, consigo. Para a generalidade das pessoas,muitas delas analfabetas a nível de Internet aquilo que o homem faz parece genial. A importância não é directa para a credibilização dos jornais mas é indirecta dado que ele influencia pessoas que por sua vez comprarão ou não comprarão jornais. Ou seguirão as lógicas dele ou não seguirão.
    A questão é que o Pacheco pereira dos jornais, não é o mesmo do blog. Como se pode conviver, um jornal com isto?

    Ok ,concordo que sempre houve spining. Mas agora o grau de qualidade é diferente como escrevo acima; é bem mais sofisticado; isto não tem nada a ver com o actual governo ; penso que tema ver com todos os governos.
    Penso que este processo se acelerou, muito, nos últimos 10 anos, e penso que é isso ,conjugado com condições económicas mais difíceis que está a levar ao decréscimo de vendas de jornais, e deficit de atenção, pelo menos cá.

    “”"verá que aquilo que hoje é a direita tem muito mais influência e peso nos media, quando tomados como um todo, do que a esquerda. A diferença é que hoje é esta que está no poder.”"”

    Concordo absolutamente. Com uma única excepção; não é a esquerda que está no poder,mas sim a direita. Embora também a um outro nível classificativo me pareça que são tipos também, completamente doidos e inconscientes os que estão no poder…
    Aliás, penso que já desde meados dos anos 80 que a esquerda não está em maioria nos jornais…

    As razões “económicas” que me dá da Lusa eram aquelas que eu suspeitava/achava que seriam…

    Vendavais piores que o DN sofreu? Pois sim, mas aquilo é uma mancha indelével no DN. :-)
    Uma nódoa que não sai mesmo depois dele ter saido…

  13. António Dias a September 6th, 2007 11:49

    hum…
    o Paulo diz que nos últimos 25 anos ocorreram mudanças como esta. Não sei se posso argumentar com isso mas todas essas mudanças corresponderam a uma expansão da actividade jornalística, do mercado publicitário, da atenção e das receitas. Talvez se possa dizer o mesmo da actual situação se se somar os milhares de milhões do google (?) mas parece-me haver aqui uma série de desafios a enfrentar e para os quais ninguém respostas. O maior deles todos é o da comodização da informação: cada vez se aceita pagar menos por aquilo que é gratuito, seja na internet ou na esquina mais próxima.

    O Google news é apenas uma pedra no sapato ao lado do verdadeiro problema que o google veio coocar à industria que é o acesso instantaneo a milhares de fontes de valor adequadas às (minhas) necessidades. Estão-me a chamar mas deixo aqui um link de um artigo que ecoa muito do que aqui escrevi (e muito melhor do que eu o faria):

    http://www.johnon.com/394/creative-class.html

  14. Paulo Querido a September 6th, 2007 12:06

    António,
    é um bom artigo, sobretudo porque foca o mais importante dos aspectos: o bom conteúdo (seja isso o que for, claro).
    Há um desafio apaixonante para os profissionais da informação, jornalistas incluídos: participar no processo de selecção e catalogação dos milhares de milhões de informações, de forma a acrescentar-lhes valor.
    Ups… acabei de dar numa linha a essência do jornalismo… Foi sem querer, juro ;)

  15. pedro silva a September 6th, 2007 16:38

    António/ Paulo: Por isso é queu digo que os jornais tem que separar o canal que tem do google. Os jornais tem que - o seu conteúdo - ser vendido como “o seu conteúdo.
    O que o antónio lança para cima da mesa, é o facto de o “mercado” (publicidade, expansão, receitas, atenção) em termos de expansão estar provavelmente a chegar aos estado finito e ser dentro desse mercado finito que agora surgem pressões para mais informação e melhor a preços cada vez mais baixos.

    Como presumivelmente os custos serão constantes o Google elimina custos desintermediando.
    Ou os jornais reagem ou morrem. E reagir significa cortar o Google, significa não dar hipóteses ao google de os esmagar enquanto tem tempo para isso.
    Se o Goggle ganhar balanço, então, mesmo com conteúdo brilhante, os jornais não terão qualquer hipótese - apenas haverá um 2lado” google, muito poderoso, contra outro lado, os jornais.

    ÀS tantas já não será uma bataha entre jornalimo, mas sim entre produtos económicos e o jornalismo deixará de ser jornalismo para passar a ser outra coisa qualquer.

    Sob o ponto de vista político global e local isto é muito mau para o conceito de democracia.
    A unificação de notícias gerará inevitavelmente redução de pluralismo por mais cuidado que se tenha a faze-la.
    Algum jornalista quer verdadeiramente arriscar isso? Quer arriscar viver nesse mundo ,em que é apenas um copista sofisticado, que em vez de estar a idade média num mosteiro a copiar manuscritos, está num qualquer Multiplex a ler noticias e a selecciona-las?

    Vejo outro problema: como se acrescenta valor, a algo que , depois de se lhe ter acrescentado valor, o Google, por exemplo, não divulga isso?

    O rácio desfavorável entre uma coisa e outra não fará quem investe ficar “escaldado” e deixar de investir no jornalismo?

    Qual é o incentivo a acrescentar valor a conteúdos, sabendo-se de antemão que quem controla o sistema estará, eventualmente colocado numa posição de anular esses esforços?

    Mesmo a nível político isto é um enorme desafio que aqui está. Não só dos jornais.

  16. Paulo Querido a September 6th, 2007 17:00

    Pedro,
    partilho alguma preocupação quanto à qualidade do “produto democrático”, para devolver o cinismo da expressão, numa sociedade de informação menos intermediada, é legítimo tê-la pois não sou um tecno-optimista nem fumo drogas (não neste século, pelo menos).

    há uma confusão frequente entre jornalismo e o modelo de negócio em que este tem assentado. Uma coisa não vive sem a outra? Estou firmemente convencido que sim. O modelo de negócio dos media é arrasado pelo digital ubíquo (a web) mas porquê meter o jornalismo (e os jornalistas) na catástrofe, se eles são uns técnicos necessários em qualquer mundo (e num mundo de sobrecarga de comunicação ainda mais, decerto)?

    O jornalismo não deixará de ser jornalismo para passar a ser outra coisa qualquer. Será o jornalismo em evolução nas técnicas e nos principios (ora, a deontologia, por exemplo, e a isenção, não nasceram com o jornalismo, são um produto da evolução da profissão). Não vejo razões para nenhum outro cenário. Não será um mega-patrão a pagar a milhares de jornalistas? Yeap. Também não é mais o mundo onde o mesmo patrão paga a milhares de músicos. Isso acabou, ou está a acabar. Yeap. Os músicos acabam? Não. Os jornalistas acabam? Não.

    Quanto ao papel do Google na cadeia de valor, não é um exemplo mas uma pista, um sinal: há 3 meses, 6 em cada dez leitores do Certamente! vinham enviados pelo Google e a tendência era de aumento; meti mãos ao trabalho e 3 meses depois subi a audiência da chafarica fazendo descer a dependência do Google, responsável agora (como canal) por 4 em cada 10 e a diminuir.

    Serei eu mais esperto que os outros? NÃO. Limito-me a insistir em não andar sempre na manada. É saudável ;)

  17. Paulo Querido a September 6th, 2007 17:10

    Outro aspecto dado à confusão: o treino dos jornalistas. Há um grande espaço nos media para assunto de copistas? Yeap. Procura e oferta, ring a bell? Há anunciantes, fazem-se mais jornais, fotocopia-se o grosso da matéria prima e acrescentam-se uns pozinhos as justificar a divisão do canal: temática, demográfica, o marketing define.
    Once again, o que tem a reprodução a ver com o treino específico dos jornalistas?
    Porque julgamos os jornalistas como se fossem a máquina das fotocópias, em vez de os julgarmos pelo seu valor acrescentado, as notícias que dão e que, se eles, nunca teriam sido dadas, e não de certezinha pela legião de macacos à frente de um teclado (blame andrew keen, not me) que ocupa 95% do seu tempo e meios a reproduzir as notícias dos jornalistas?

  18. pedro silva a September 7th, 2007 12:00

    pULO:

    “”"mas porquê meter o jornalismo (e os jornalistas) na catástrofe, se eles são uns técnicos necessários em qualquer mundo (e num mundo de sobrecarga de comunicação ainda mais,decerto)?”"”

    paulo, num mundo que caminhe para ser crescentemente totalitário, serão mesmo os jornalistas necessários?
    Se existir sobrecarga de comunicação para que é que serão necessários jornalistas?
    Algum ditador político benevolente apenas dirá a pseudo mágica solução: deixar fluir a sobrecarga de informação sem fazer nada , ou para a parar ou para a controlar ou para a mediar utilizando jornalistas.
    Uma vez tive uma conversa com um dos blasfemos , um que assina AAA. Assunto:recibos verdes.
    Teoria do mancebo em questão: deveria o Estado não fiscalizar a passagem de recibos verdes porque isso seroa liberdade e liberalismo.
    É a versão sobrecarga de liberalismo económico e a não necessidade do Estado/jornalista a mediar o processo.
    É claro que depois os problemas e as fraudes surgem, mas ai a responsabilidade não é de ninguém.
    No jornalismo - neste sistema estamos a entrar no mesmo, por culpa exclusiva da classe.
    Paulo: precisamos de jornalistas para quê, se existem sistemas automáticos que fazem o que o jornalista aparentemente fazem?

    Ainda:
    “”O jornalismo não deixará de ser jornalismo para passar a ser outra coisa qualquer.”"

    Isto não é wishfull thinking?
    Já não é actualmente outra coisa qualquer?
    Exemplo em Portugal: onde está o jornalismo de investigação? Não está, porque custa dinheiro e os critérios económicos mandam que se poupe dinheiro - à custa de um elemento fundamental do jornalismo - a investigação.
    Já não estão os jornalistas colocados num ponto em que uma das vertentes do deu trabalho deixou de existir?

    “”"há 3 meses, 6 em cada dez leitores do Certamente! vinham enviados pelo Google e a tendência era de aumento; meti mãos ao trabalho e 3 meses depois subi a audiência da chafarica fazendo descer a dependência do Google”"”

    O certamente que sim, não é um exemplo válido. O publico dali é um publico de Internet educado em trmos tecnológicos. Logo escolhe, wordpress ou outras coisas primeiro em detrimento do Blogspot…
    Não é uma amostra inteiramente válida… como exemplo…

    E:

    “”"Porque julgamos os jornalistas como se fossem a máquina das fotocópias, em vez de os julgarmos pelo seu valor acrescentado”"”

    Porque os jornalistas estão a ser uma máquina de fotócipas em vez de jornalistas; pelo menos cá.
    O problema é esse. Os jornalistas não estão a acrescentar valor. Como não estão a acrescentar valor, surge o Google e outro tipo de coisas semelhantes.

  19. Paulo Querido a September 9th, 2007 0:33

    Há várias coisas na sua argumentação que de todo não entendo. Como essa fixação no Google como agente acrescentador de valor. O Google é uma nova montra, uma das, não é um produtor de informação.

    Os jornalistas, com todas as críticas à sua metodologia e riscos do business model, continuam a produzir a esmagadora maioria do conteúdo de valor.

    O seu cenário catastrofista é digno de um livro de antecipação futurista ;) dava um excelente argumento. Mas é complexo falar em pensamento único quando temos um quadro comunicacional com cada vez mais vozes e uma liberdade editorial como nunca antes a Humanidade conheceu. A Democracia está mais em risco por dentro (demasiados políticos e rarefacção de estadistas) do que por fora.

  20. pedro silva a September 9th, 2007 22:25

    Paulo: concordo que sou algo catastrofista e pessimista, acima de tudo pessimista.

    Mas o Google parece-me estar a evoluir para ser um produtor de informação, mas de um tipo inteiramente novo, que ainda não dá para definir bem o que dali sairá.
    E os jornalistas continuam - por enquanto - a produzir a esmagadora maioria do conteúdo de valor.
    Agora resta questionar é qual é a qualidade desse mesmo conteúdo de valor …

    Temos um quadro comunicacional mais vasto -concordo.
    Mas não estará todo ele - quase todo ele - a repetir a mesma coisa?
    De forma acritíca e como se estivesse numa linha de montagem?
    Subordinado primeiro, a interesses económicos e só depois o pluralismo de informação? Muito depois, diga-se…

    Concordo a questão dos políticos e dos menos estadistas, mas não me parece que seja JÁ neste momento histórico, só isso, a explicar os problemas.

    Mas dou a mão à palmatória numa aspecto: sou muito pessimista… ;-)

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