Os Jornais e o Google News
À vista desarmada o Google News é um excelente serviço que fornece milhares de visitas aos sites dos jornais, permitindo-lhes deste modo receber mais leitores e obter mais receitas de publicidade. Se o jornal não gosta impede o acesso do Google News ao seu site, certo?
Na realidade não será bem assim, caro Pedro (julgo ter visto uma outra referência à citação que se segue no Planeta Asterisco).
“A Google utiliza os conteúdos da imprensa, colocando-os no seu serviço noticioso sem pagar quaisquer taxas. Mas alguns jornais já se mostram indignados com esta prática.”
Artigo completo na Exame Informática
O que o Google News faz é criar valor da agregação e ordenação de fragmentos de informação com valor marginal nulo (os títulos, links, descrições e thumbnails de imagens). Individualmente seria impensável fazer pagar por estes fragmentos, em conjunto são estes elementos que fazem do Google News um serviço de interesse para milhares de leitores.
Deve o Google pagar aos jornais, mesmo que não obtenha ganhos publicitários com o serviço? E se incluir publicidade?
Não sei mas acredito que o google vai acabar por pagar a alguns jornais e agências. Os outros acabarão por ir atrás, sem outro remédio.
Contudo, o verdadeiro problema dos «jornais» não é a inexistência de contrapartidas financeiras. É o conceito em si. Durante anos, décadas até os jornais trabalharam arduamente para conquistar e fidelizar os seus leitores e estabelecer a sua marca. O leitor terá certamente um jornal com o qual se identifica mais, idem para as radios e as Tvs.
Ora o que o Google News faz é desintermediar essa relação. O leitor deixa de ser leitor do Público, do DN ou de A Bola e passa a ser leitor do Google News. Mesmo que continue com as suas preferências o leitor tenderá a visitar mais assiduamente os sites dos outros meios. Esta é uma disputa pelos meios de distribuição e com este tipo de serviço é o Google quem tem (owns) o cliente.
Efeito colateral deste serviço, os jornais são forçados a competir tout court - gratuitos, “referências” e tablóides todos competem no mesmo espaço. E estão sujeitos à concorrência dos media online, que muitas vezes se limitam a reproduzir notícias das agências.
Não podendo impedir o desenvolvimento deste tipo de produtos os jornais querem ser compensados e criar barreiras, sob a forma de taxas, ao aparecimento de produtos derivados.
Porque não recusam TODOS os jornais acesso ao GNews?
Teoricamente podem fazê-lo, acusações de cartelização aparte, e para isso nem precisam de deixar de aparecer nas pesquisas normais do Google. Contudo os jornais não confiam uns nos outros e seria tentador para alguns estabelecer acordos directos com o Google.
Por outro lado existem jornais online, com poucos leitores fieis e uma marca fraca, que dependem fortemente do Google News e que não têm qualquer incentivo em deixar o serviço (ironicamente muitos destes jornais são controlados ou estão associados aos grupos que controlam os jornais tradicionais e que mais se queixam do Google News.)
Outros media com interesse em estar no Google News incluem publicações especializadas e locais/regionais e num futuro breve blogs.
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