Optimização, também tarefa do webdesigner
Apontar o dedo a insuficiências num website a quem pretende uma opinião profissional é já de si bastante delicada. Calcule-se o quão sensível não será apontar os mesmos defeitos a um parceiro comercial que apenas nos pergunta se já conhecemos o novo site. Valerá a pena criticar o webdesigner quando não se é chamado e arriscar a indispôr o parceiro?
Uma empresa com a qual trabalhamos há vários anos lançou recentemente o seu novo website com centenas de páginas, resultado de vários meses de trabalho e, calculo, de um importante investimento financeiro. Perguntam-me, por email, se já vi o novo site e hesito entre louvar as novas funcionalidades do website ou apontar também algumas deficiências no site. Uma visita rápida ao site permitiu detectar vários problemas de funcionalidade e de arquitectura do site:
- A página de entrada. Eu sei que é comum fazer-se mas não faz sentido que a página mais importante do site se resuma a gráficos e à selecção linguística - e sem qualquer texto de apresentação.
- A navegação do site, outro pecado tipicamente tuga, força o visitante a cliques desnecessários. O visitante quase que é desencorajado de continuar ao ser conduzido para e ao longo do catálogo.
- O catálogo não está traduzido ou se está existe um problema que conduz os visitantes às páginas do catálogo em português. Possivelmente estará ainda em produção.
- Exagerada formalidade seja na apresentação da empresa, do catálogo ou no formulário para contacto. A copy em inglês também é portuguesa, if you know what I mean…
- As imagens no catálogo não fazem justiça aos produtos; apenas as imagens de detalhe apresentam uma imagem aproximada da qualidade dos produtos da empresa.
- As thumbs do catálogo utilizam os ficheiros de imagem detalhada dos produtos em tamanho reduzido…
- A url sem www continua a redireccionar para o webmail…
Estes defeitos são graves mas em parte são atenuados por se tratar de um website primodialmente b2b - o trajecto e interesses de um “comprador industrial” são diferentes dos do consumidor individual, compradores industriais preocupam-se mais em encontrar produtos e parceiros compativeis do que na “experiência web” e têm maior tolerância a sites desfuncionais - o que nem sequer é o caso.
Contudo não me é possivel ficar indiferente à pobre optimização do site. Não é necessário ser especialista em SEO para preparar o site para os motores de busca. Trabalho de base como o estrutura, texto ancôra, titulos, utilização das principais palavras chave devem fazer parte das responsabilidades do webdesigner. Este é trabalho intensivo, que tem de ser feito em qualquer caso e que custará à empresa bom dinheiro reparar e não existe desculpa para não o fazer.
No caso em apreço, todas as páginas, e digo rigorosamente todas incluindo as que estão traduzidas, partilham o mesmo título (”nome da empresa”- “descrição da actividade”). Isto significa que o Google apresentará um número reduzido de páginas do site nos seus indexes. E nenhuma das principais palavras-chave que poderão ser utilizadas por compradores se encontram em títulos de artigos, em texto âncora de links ou em destaque. Encontrei apenas uma, repetida algumas vezes nos textos e sem qualquer associação a frases prováveis numa busca. A empresa dificilmente aparecerá nos índices em lugares relevantes ao ser procurada por possíveis clientes. Ao repetir ad nauseum o mesmo título, o site está a enviar uma mensagem clara ao motor de busca: páginas a, b, c, …xxz, são sobre todas sobre o “tema”. O motor de pesquisa vai por isso procurar mais sinais de relevância e indexar, quando muito, uma pequena parte das páginas - aquelas que lhe parecem mais importantes, em vez de indexar o site na sua totalidade.
Cada página é única, e deve portanto ter um título único que indica ao visitante - e ao motor de busca, qual o assunto da mesma. Existem dezenas de palavras chave e combinações prováveis de que a empresa poderia tomar partido nos títulos do seu site e nos textos de forma a optimizar para as palavras mais procuradas e para a cauda longa da busca.
Ao ignorar a possibilidade de chamar a atenção dos motores de busca para diferentes atribuições da sua actividade e produtos a empresa está a contribuir para a sua irrelevância nos resultados de busca. Quem procurar por outros termos que não o nome da empresa ou a descrição da actividade (que nem sequer inclui algumas das palavras chave mais utilizadas) não encontrará a empresa nos resultados.
Atribuir novos títulos a cada página, ou pelo menos às mais relevantes vai dar bastante trabalho. A empresa não tem de saber da importância dos títulos e do SEO, mas quem lhe construíu o site deveria.
Comentários
3 Respostas para “Optimização, também tarefa do webdesigner”
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Efectivamente, recentemente ao clicar num text link da optimus para um nokia 1100, aparecia outro telemóvel mais caro
Vigarice de chicos espertos
Ainda bem que não sou cliente da optimus
SOu sim E sou utente de longa data que por acaso esta semana tenha achado muito estranho o “andamento” do dito cujo.
Uma lentidão aterradora e quebras frequentes de serviço.
Já tenhoo statconter há algum tempo no Aufe. Acho que está na aluta de o colocar no E&F e correr com oSitemeter.
Obrigado pela dica!
Obrigada pelo aviso, vou tratar de remover o sitemeter ainda hoje. Detesto spyware.