Parlamento.pt não quer estar no Google
Na entrada anterior levantei a hipótese de o site do parlamento ser sido banido pelo Google. Na realidade, é o próprio site que barra a visita ao motor de busca e o impede de indexar o site. O Pedro Dias, que trabalha no Google, teve a amabilidade de esclarecer a situação nos comentários:
Ora, o site aparece no Yahoo e no Live (Microsoft anyone?), mas não aparece no Google… O Paulo deu a resposta certa “…mas pode haver barramento na configuração do webserver (um IIS, se bem me recordo).”
Por email, o Pedro acrescenta que o barramento ao IP do googlebot poderá tratar-se de um acidente.
Ainda estou a tentar perceber a racionalidade subjacente: os motores de busca são uma realidade incontornável da utilização da internet e estudos indicam que mais de 80% (cito de memória) dos visitantes chegam aos sites através dos motores de busca. Há até quem escreva o nome dos sites no motor de pesquisa. O Google tem o domínio completo do mercado em Portugal (o Sapo usa os seus resultados) e muitos outros países.
Haverá alguma justificação aceitável para o parlamento barrar o acesso dos cidadãos às suas páginas e à informação?
Comentários
24 Respostas para “Parlamento.pt não quer estar no Google”
Deixe uma Resposta











“Haverá alguma justificação para o parlamento barrar o acesso dos cidadãos às suas páginas e à informação?”
Não querer que o acesso seja fácil? (Nem toda a gente vive contente com o site da AR)
Empurrar as pessoas para os serviços de pesquisa do site — e outros?
“”"Haverá alguma justificação para o parlamento barrar o acesso dos cidadãos às suas páginas e à informação?”"”
A pergunta do final do post responde a ela mesma.
A justificação para isso é mesmo essa: barrar o acesso dos cidadãos às suas páginas…
UM DIFUSO MAL-ESTAR
Relatório recente.
Podem vêr excerto e link para o pdf e site original aqui.
Até mais.
Link, irrelevante para a conversa, removido pelo admin.
Meus caros : 99% de probabilidade de ter sido não intencional = azelhice.
Vamos lá ver se está por lá o contacto dos serviços da AR para enviarmos esta notificação. Vou tentar também informar algum representante político para dar um achega à coisa.
[...] estar a suceder precisamente o oposto: a AR ter a porta fechada para os bot e robot do Google. O António Dias continua a acompanhar a questão. Próximo passo, dar disso notícia à [...]
Caro Mário da Silva, veio portanto aqui, a um post completamente a despropósito, chamar a atenção para um assunto que considera pertinente, o relatório da Sedes, E DEIXA UM LINK PARA O SEU BLOG? É até provável que as pessoas lá vão, enganadas — mas pode ter a certeza que não regressam.
Há duas razões pelas quais alguns administradores de sites barrem o acesso a bots:
1) O receio que os bots indexadores afectem a performance do site. Disparate claro está quando se trata do bot do Google mas notem que para outros poderá não ser um disparate tão grande assim … o que me leva à segunda razão:
2) Uma tentativa mal sucedida de dizer aos bots de indexação qual o conteúdo realmente relevante e optimizado para indexação.
Pessoalmente creio que no caso deste site foi provavelmente uma conjunção de 1) ou 2) ou vulgarmente simples azelhice … não me parece um cercear voluntário …
Eu não disponho de muito tempo e careço de provas, mas julgo que as evidências são de molde a legitimar a dúvida acerca da intencionalidade.
As evidências estão disponíveis em toda a administração: salvo honrosas excepções (lembro-me do PR e do PM, que têm sites onde se nota um esforço sério de chegar ao leitor) os documentos produzidos não são de fácil acesso.
Já nem falo da exigência do uso de um determinado browser ou tecnologia, um problema que foi gritante e hoje está no estado de incómodo.
Falo dos formatos dos documentos.
Falo da arquitectura dos websites — se eu quisesse um website que afastasse as pessoas, pedia ao webdesigner uma coisa assim como o site da AR, onde a informação está sempre a vários cliques de distância, colocados nos sítios menos óbvios.
Falo da inexistência de feeds — que permitiriam à “sociedade civil” fazer algo com documentos que, dêem a volta que derem, lhe pertencem pois que são do domínio público e foram pagos pelo seu dinheiro por um sistema concebido para a servir.
Por acaso — e só por acaso — o Diário da República Electrónico é pesquisável através do Google, embora em condições longe do óptimo. (Deve ter escapado.)
Excepto na relação directa Administração indivíduo, o que encontramos é em regra informação sem acesso directo mas que é vendida por algum tipo de serviço.
Mas pronto, isto sou eu a falar.
Paulo querido: tudo o que disse está correcto.
Daí eu ter posto meu próprio comentário antes…Aconselho-o no entanto a ir ao site do ministério da saúde e a tentar encontrar “contactos”.
É um asco aquilo. portanto penso que a questão do parlamento, por exemplo, não será “técnica” mas sim propositada para criar uma navegação difícil no site do parlamento…e desincentivar as pessoas de irem lá, pedirem esclarecimentos, colocarem questões, etc…etc..
Caro António
Na minha opinião, o excesso de zelo levou a que se cometesse um erro de principiente, o(s) IP do(s) google bot(s) forma bloqueados por engano.
Além disso, não vejo o site do parlamento como uma “vergonha”. Parece-me um site razoável, indexável (assim o queiram) e de usabilidade modesta mas que funciona. Only my 50 cents…
Cumps
Vi o site em questão e possui um código muito sujo e como você mesmo citou o irônico simbolo de acessibilidade. Afinal será que um cego usando um leitor de tela consegue meio aqueles javascript desnecessários navegar por lá? Poderia ser simples, mas acessível.
A teoria da conspiração de promover a falta de transparência não compro. Pelo menos em relação à AR. É dos poucos sítios da administração pública onde (pese embora a tal provável azelhice que reportei) se encontra descrito e acessível trabalho fundamenal desenvolvido pelo dito órgão de soberania, como sejam as leis de lá emanadas e/ou em projecto. Em relação ao DRE houve um enorme avanço mas venceu a lógica do burocrata, do coca-bichinhos que tem os decretos e as leis na ponta da língua e, na prática, é um pesadelo encontrar o que se quer se não tivermos uma ideia básica de algumas coordenadas. Aqui sim, até porque há serviços pagos que continuam a não fazer sentido sê-lo que podem estar a minar os princípios da tranaparência e fácil acessibiidade à lei do país. Ainda há um long trabalho a percorrer por ali.
Rui,
eu também não acredito que seja uma iniciativa deliberada de alto nível para impedir a indexação no google. Já quanto a medida isolada do webmaster ou de alguma empresa que tenha a responsabilidade de manter o site não excluo, embora não perceba porquê.
O mais provável é, como dizes, ser aselhice. Seria irónico se isto fosse o resultado de uma daquelas listas que barra o acesso aos IPs dos scrapers. Estou até a ver alguém a adulterar uma dessa listas para tramar os webmasters
António, sim, é preciso cuidado com as listas de IPs a barrar. Já tive de tirar endereços da nossa, que é feita com base na http://www.wizcrafts.net.
Rui, não quis apresentar isto como teoria da conspiração. Há um conjunto de práticas que indiciam uma atitude, que aliás não é propriamente nova ao nível da Administração. Como disse, não tenho provas nem tempo para investigar isto, limitei-me a dizer que tais práticas legitimam a dúvida sobre a sua natureza.
Sobre o DRE (e a assembleia pode levar da mesma tabela): são sítios orientados ao especialista. As críticas que tenho visto, e que faço, são do cidadão comum. Talvez devessemos então debater qual deve ser o posicionamento dos sites da AP…
Eu atalho logo, se a conclusão for de que devem ser para os pros, então ao menos libertem os dados em formatos trabalháveis que permitam ao cibercidadão comum tirar partido deles. Afinal, os dados SÃO públicos.
“Haverá alguma justificação aceitável para o parlamento barrar o acesso dos cidadãos às suas páginas e à informação?”
No link removido acho que está bem patente o porquê de certas pessoas não terem muito interesse em que o cidadão tenha acesso à informação. Assim não o entendeu o censor deste blog e procedeu à censura.
“Caro Mário da Silva, veio portanto aqui, a um post completamente a despropósito, chamar a atenção para um assunto que considera pertinente, o relatório da Sedes, E DEIXA UM LINK PARA O SEU BLOG? É até provável que as pessoas lá vão, enganadas — mas pode ter a certeza que não regressam.” - Paulo Querido
Ao contrário de si — que é um mal-educado e um arrogante pretencioso e convencido — não lhe responderei aos berros, coisa que o “amigo” não faria se estivesse à minha frente lhe garanto pois arriscava-se a apanhar a senhora bolachada na cara.
Pensava que este blog era do António Dias. Enganei-me. Afinal é seu. Parabéns! Divirta-se.
“Haverá alguma justificação aceitável para o parlamento barrar o acesso dos cidadãos às suas páginas e à informação?” - António Dias
Extraindo do relatória da SEDES:
“Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.
(…)
Não podemos, por isso, ceder à resignação sem recusarmos a liberdade com que assumimos a responsabilidade pelo nosso destino.
Assumindo o dever cívico (…) entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal estar.”
Penso que isto responde bastante bem à pergunta colocada pelo António, conforme eu a entendi, e por isso coloquei o link para o meu artigo que é este extracto e um link para o documento da SEDES.
Eu não acredito que exista esse “erro” numa instituição pública como a Assembleia da República. Cirúrgico. E ainda mais tendo em conta que o motor de busca mais usado é mesmo o Google (até via SAPO) e não outro qualquer.
Desejo-lhe boa sorte, António, e que se livre dos “malditos” censores de plantão.
Senhor Mário da Silva, sem prejuízo de o único editor deste blogue lhe dar a resposta que entender sobre as razões para editar comentários, a sua evocação de censura é rigorosamente ridícula, além de abjecta. Não me conhecendo de lado algum, é pretenciosismo seu achar que me insulta. Ou que me esbofeteia impunemente. Sabe perfeitamente para onde pode ir. Adeus.
Idem!
Bolas, chego sempre atrasado a estas festas.
FYI Mário, eu teria apagado o comentário se o Paulo não tivesse respondido. É algo que faço rotinamente, ainda ontem apaguei 2 comentários.
Lamento que isto tenha chegado a esta situação, bem como que o Mário não tenha acrescentado ao seu primeiro comentário alguma da informação que deixou ontem. Concordasse ou não, entendesse-o relevante para a conversa ou não, certamente que não teria editado o comentário.
António: desculpa. Por mim podes na mesma apagar esta palhaçada na qual me deixei envolver.
Caro António,
Antes de ter censurado o link poderia sempre ter comentado lá ou ter-me enviado um email. Os comentários estão abertos e o email é do seu conhecimento.
Eu não ando em busca de publicidade via o seu site. Nenhum interesse nisso. Tanto me faz ter mais visitantes ou menos. Não tenho publicidade minha. Não me rende nada de nada. Até escrevo pouco e “inverno” muitas vezes.
A minha reacção até talvez tivesse sido mais suave ou até nula não fosse precisamente o comentário despropositado e em tom de sermão do sr. Paulo Querido.
Quanto ao dito sr. nem merece resposta.
Ora essa Paulo, desculpa porquê? Eu tb já censurei alguém no teu blog que deixou um link irrelevante e até opinei sobre o que lhe aconteceria por aqui.
Mário, ser ou não publicidade não é importante, apenas se faz parte ou não da conversa.