A Webdote e a Semântica
Segundo o Jornal de Negócios de ontem a WebDote andou a plantar comentários anónimos em fóruns, chats e blogs para um seu cliente. A empresa vende esta prática enquanto marketing viral, eu prefiro chamar-lhe spam:
O utilizador ‘online’ está sempre à beira de um click para sair. Se nos dirigirmos a ele como anunciantes de determinada marca ou projecto as suas resistências serão à partida maiores. Com uma fonte credível, amiga, é estabelecida à partida uma relação mais forte.
É apenas uma forma de evitarmos as resistências do interlocutor. Se o convite for feito por parte de um membro da comunidade é mais facilmente penetrável.
Note-se a contradição nas próprias palavras da própria empresa: a empresa justifica esta prática porque “Se nos dirigirmos a ele como anunciantes de determinada marca ou projecto as suas resistências serão à partida maiores“.
Mais adiante, e sobre a campanha Aqui há Selo para os CTT, declara não existir falta de ética na campanha que a Webdote desenvolveu para os CTT “porque o objectivo é levar as pessoas a conhecer determinado projecto e não publicitar nenhum produto em concreto.” Ou seja, a prática seria eticamente aceitável porque não nos estão a vender coisa alguma (o que é falso).
Obviamente que a Webdote sabe que o que faz é discutível, de um ponto de vista ético e até legal; e que uma vez expostas as suas campanhas isso poderá causar complicações aos seus clientes. Todavia, prefere chamar-lhe marketing digital e denomina-se até de “agência de marketing viral”.
É tudo uma questão de semântica.
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8 Respostas para “A Webdote e a Semântica”
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A Webdote e a Semântica…
Segundo o Jornal de Negócios de ontem a WebDote andou a plantar comentários anónimos em fóruns, chats e blogs para um seu cliente. A empresa vende esta prática enquanto marketing viral, eu prefiro chamar-lhe spam…
António,
a questão semântica é bem levantada. É também interessante que se parta imediatamente do pressuposto de que foi a Webdote a intitular-se como agência de marketing viral.
É um pressuposto errado e o lapsus linguae da jornalista é elucidativo, revela a atitude tendenciosa ou a leviandade no tratamento da informação.
A agora famosa Sara,(pós notícia) foi responsável por acompanhar todos os participantes, respondendo a todas as suas questões, via mail, através de uma interacção humanizada.
Quando divulgámos o passatempo, nas redes sociais, assim como na blogosfera, referenciou-se explicitamente o facto de se tratar de um passatempo dos CTT.
Se se deparasse com a seguinte informação: Festival do Sudoeste de 7 a 10 de Agosto. Visite o link. Independentemente de quem o tivesse postado, será que consideraria este tipo de divulgação, publicidade encapotada?
É de facto uma questão semântica, é uma questão de bom jornalismo.
Agora virou moda invadir a blogosfera com publicidade feita de forma invasiva, nada ética e dirÃa a roçar a ilegalidade (Spam). Lembrei-me logo do caso Optimus…
Para quem se diz conhecedor da web 2.0 a Webdote revela poucos conhecimentos de como interagir com esta, resumindo, confunde marketing viral (por favor leiam antes de usar os termos na descrição dos vossos site na web) com Spam.
Isso lembra-me aqueles programas automatizados para spammar, digo comentar em blogs… Que para quem conhecer minimamente a blogosfera internacional, têm tanta aceitação como os emails com tÃtulos do tipo: \”Buy Viagra Online\”.
Se querem interagir com a blogosfera e fazer marketing viral contribuam com conteúdo de qualidade, viral ou não, vocês lá escolherão a abordagem.
Cumprimentos e parabéns António por chamar a atenção para esta temática.
[...] empresa iniciou as respostas com comentários nos blogs que abordaram o tema, escritos pela Digital Communication Manager Andreia Onofre, a pessoa que [...]
[...] spam agora tem um nome fino 13 Agosto 2008 | por Luis Rainha Nem lido se acredita: ao que parece, existe alguém nos CTT que acha boa ideia pagar a uns artistas que se [...]
Não conhecendo os detalhes da campanha é dificil dar uma opinião sobre o caso especifico. Do ponto de vista dos princípios no entanto:
Desde que os comentários sejam devidamente identificados e referenciados como informação “oficial” da empresa que os coloca e sejam contextualmente ligados aos posts e aos blogs em que são inseridos e sejam efectuados de forma manual (humana) não automatizada penso que se trata de uma forma correcta de utilização dos meios digitais.
Fernando,
é ver por si próprio:
No blog verde
O Luís Rainha ligou outro exemplo na entrada cujo trackback está acima (cinco dias) e quem quiser encontra facilmente variações deste tipo de comentários por aí.
António,
experiências prévias raras vezes nos levam a acreditar que a transparência se encontra do lado das empresas. Relativamente à Webdote deixo apenas um excerto do direito de resposta publicado ontem na edição física do JN.
“O Negócios recebeu da Webdote o pedido de direito de resposta que a seguir se publica:
“Na edição de 7.08.08 o JN publicou o artigo: “Marcas contratam infiltrados para influenciar blogs e chats” em que, por causa do passatempo “Aqui Há Selo”, a Webdote é qualificada como uma agência de marketing viral, referindo-se que a “Sara” é uma espécie de agente infiltrado ao serviço da Webdote” e conclui-se pela ilegalidade desta prática. Nada disto corresponde à verdade. A Webdote presta serviços de marketing digital e não faz marketing encapotado”…