O Zé no WP

Já devem saber que José Saramago, aos 85 anos, iniciou recentemente o seu blog.

O que talvez não tenham notado é que, não só o blog usa tecnologia wordpress ,como está alojado no wordpress.com, em serviço de mapeamento do domínio.

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Os blogues não têm lições de ética a receber da imprensa

No outro dia, Miguel Esteves Cardoso disse na TSF que (os blogues) “têm um brio na apresentação, (…) têm uma educação entre eles, e uma ética que eu acho que nunca houve na imprensa portuguesa (…) os blogues estão muito à frente da imprensa.” (via Daniel Oliveira.)

Não estou certo que seja bem assim, mas conheço uma área onde os meios de comunicação poderiam aprender com os principais blogs: a publicidade.

Banners não sinalizados, links de patrocinadores disfarçados na navegação, links afiliados nas páginas e por entre os artigos. Sim, falo de links pagos à comissão ou por clique disfarçados nos conteúdos; e sim, falo dos sites de alguns dos principais jornais e rádios de Portugal.

Infracções ao Código de Publicidade

Comecemos pelos banners publicitários. Um aspecto curioso é a aparente dualidade na apresentação dos banners. Quase todos os sites que visitei sinalizam alguns dos seus banners com termos como “Pub” ou “Publicidade” enquanto outros são apresentados sem qualquer menção à sua natureza publicitária.

Qual será o critério? Será por o pagamento depender de uma comissão (links para sites de jogos) ou por se anunciar serviços do portal onde o site está alojado (clix)?

Pode-se argumentar que os visitantes já estão habituados a associar banners a publicidade, o que será provavelmente verdade, mas não explica o critério selectivo.

Também não satisfaz as regras a que estes meios de comunicação estão sujeitas no código da publicidade. O código, no seu artigo 8º, é taxativo:
A publicidade tem de ser inequivocamente identificada como tal, qualquer que seja o meio de difusão utilizado.

Links patrocinados avulsos

Uma prática bastante comum é a inserção de links publicitários no site. Não se tratam de links para aldrabar o algoritmo do Google, como fez em tempos o The Economist, mas de links para produtos e serviços. Veja-se este exemplo no topo do site do JN:

anuncio no site do jornal de noticias

anúncio do JN

O mesmo se passa com outros sites do grupo: DN, TSF, para citar os mais conhecidos. Já O Jogo prefere colocar o link no final do artigo:

Anuncio no jornal o jogo

Anúncio no jornal O Jogo

Será o vermelho uma forma de “identificar inequivocamente” a natureza desta recomendação?
O mesmo link surge no Record incluído numa discreta caixa de publicidade, de acordo com o citado artigo do código da publicidade.

Links na Navegação e Conteúdos

A Bola reformulou recentemente o seu site. Apontará o link em destaque na imagem para uma secção do site dedicada a um dos seus patrocinadores?

Link Afiliado no site d'A Bola

Link Afiliado no site d'A Bola

Não, não aponta. É um link afiliado que conduz os visitantes a um site de apostas.

Em matéria de links afiliados o campeão é a TSF: Nas páginas da rádio encontram-se links no topo, a barra lateral lista vários links afiliados, e, inacreditável, também há links afiliados nos artigos.

links afiliados na tsf

links afiliados no site da TSF - clique para aumentar

Os links na barra lateral e nos artigos são pagos ao clique e, pelo que pude verificar, não existe sequer na página qualquer declaração de interesses. Tais práticas foram recentemente criminalizadas no Reino Unido e, se ainda não o são em Portugal, devem sê-lo em breve uma vez que esta medida decorre de legislação europeia.

É verdade que o mesmo pode ser visto em alguns blogues e sites mas, que se saiba, em nenhum que reclame para si o estatuto de orgão de comunicação referência. Os sites que aqui refiro pertencem tão só aos jornais e rádios mais lidos e respeitados do país.

Spammers “marcados” nos resultados de busca do Yahoo

Há já algum tempo que os motores de busca alertam os utilizadores para possíveis consequências de clicar nos resultados, por exemplo, se o site é perigoso.

O Yahoo foi um pouco mais longe e está agora a alertar os utilizadores para uma outra prática deceptica: a recolha de emails de utilizadores para abuso ou revenda. VPor exemplo, nesta busca:

aviso de envio de email no yahoo

E seguindo o link encarnado, é fornecida a explicação do siteadvisor:
After entering our e-mail address on this site, we received 2.4 e-mails per week. They were very spammy.”

Como diz o Patrick, isto poderá reduzir o tráfico orgânico do Yahoo para o site a 10% do que seria de esperar.
Quem recolhe e vende emails nos seus sites que se ponha a pau; será só uma questão de tempo até o Google seguir o exemplo do Yahoo.

10 anos de Google. Como serão os próximos 10?

10 anos do Google

10. Um número redondo a merecer celebração. O Google é a marca mais valiosa do mundo e não vejo quem lhe possa fazer sombra no futuro próximo. E são apenas 10 anos. Parafraseando o Bastos, «onde estavas tu no 27 de Setembro de 1997»?

Para celebrar a data recolhi algumas citações de alguns textos que merecem leitura e que sugerem que os próximos 10 anos serão bastante mais controversos para o gigante de Mountain View. Escolhi-os porque gosto do Google e gostaria que estes pronúncios fossem em vão.

The omnigoogle (Nick Carr):

God or Satan? When you control the economic chokepoint of a digital economy and have complements everywhere you look, it can be difficult to distinguish between when you’re doing good (giving the people what they want) and when you’re doing bad (squelching competition)

Stuck in Google’s Doghouse (NYTimes):

As Mr. Savage saw it, Google’s near monopoly in search ads (its market share is approaching 70 percent) put it in a position to decide which business models it would tolerate and which ones it wouldn’t. “Google can use AdWords to pick winners in every category,” he told me.

The Google search advertising cartel (Seobook):

Sideline projects, like their book scanning project, turn into a treasure for librarians and researchers who guide others to trust Google. Syndicated products and services like their book API nearly create themselves as an off-shoot of creating indexable searchable content.

Googleolopy (Cleland, o autor, é lobista ao serviço das telecoms):

Google arguably enjoys more multi-dimensional dominating efficiencies and network effects of network effects of any company ever

URL dinâmicas ou estáticas?

Qualquer bom manual de SEO recomenda o uso, sempre que possível, de URLs estáticas. Normalmente isso traduz-se na da transformação de urls dinâmicas, do tipo main.php?setid=41&id=4&nid=43 em urls mais finas e elegantes como a desta entrada: /url-dinamicas-ou-estaticas/.

Na semana passada o Google Webmaster Central publicou uma recomendação aos webmasters para que evitem esta prática. Ou melhor, se para o fazer vão criar problemas de navegação para os bots e criar conteúdos duplicados então o melhor é não fazer nada.

A verdade é que a entrada é confusa e requer uma leitura atenta; desmonta alguns dos mitos e meias verdades que se espalham como fogo em seara pelos fóruns e blogs, como sejam o de que o Google não indexa estas urls ou não lê mais do que n-parâmetros. Isso é falso.

Todavia, do ponto de vista da optimização, as urls estáticas ainda detêm vantagens significativas: elas convertem melhor nos SERPs, podem mais facilmente incorporar palavras chave e sugerir texto âncora “óptimo” e mais fáceis de partilhar.
Se ainda não estão convencidos podem ler mais no Seomoz blog.

Porquanto que eu acredite que a intenção da entrada seja a de evitar problemas de indexação ao Google e que muitos webmasters dêem tiros no pé com urls mal formatadas o Google está a semear inutilmente a confusão e a dificultar a vida aos rivais. Neste caso a inércia também trabalha para o Google.

Seria muito mais simples dizer “se não vão fazer as urls estáticas correctamente, deixem-nas como estão, que nós as indexaremos”.

Vagina (Serviço Público)

VAGINA

Inpirado nesta entrada do Marco resolvi criar a minha própria página de resultados do Google para o Magalhães.

vagina

Participe também! Ao linkar esta página no seu blog estará a contribuir para que as nossas criancinhas não encontrem “páginas impróprias” ao procurar no Google por “Vagina“.

Promoçao através de acontecimentos populares

Escrever sobre os acontecimentos que dominam a agenda dos media e a atenção dos internautas é uma actividade extremamente comum e popular entre bloggers.

Se a maioria o faz por gozo ou mera curiosidade há quem faça destes acontecimentos parte do marketing mix para atrair visitantes para o seu website. Já há até sites criados propositadamente para eventos específicos.

O passo seguinte consiste na criação de secções especiais ou aplicações que permitam que o site se destaque no ruído.
Foi o que fizeram 3 islandeses que perceberam que os cidadãos do planeta partilham um interesse elevado pelas eleições americanas. Vai daí lançaram um site que responde a esse interesse, se o mundo pudesse votar (*).

A atenção é de curto prazo mas lá está, os links permanecem, pelo que este tipo de empreitadas estão melhor vocacionadas como complementos de sites mais abrangentes.

As eleições americanas constituem uma dessas oportunidades para webmasters engenhosos nos entreterem ou se posicionarem como fontes mais ou menos credíveis, servir de distracção ou como arma de arremesso ao serviço dos partidários de cada uma das campanhas.

Desde que a governadora do Alasca entrou na corrida que se percebeu que esta seria uma fonte inesgotável para rumores e anedotas. Já há pelo menos um jogo com ursos polar e calculo que não demore muito a aparecer uma caçada ao dinossauro ou outros com associações aos múltiplos «escândalos» da governadora.

O último que me chegou à inbox é um hilariante gerador de nomes “qual seria o seu nome se fosse filho de Sarah Palin“.

A fórmula de sucesso deste gerador é simples, pega num atributo ou acção do candidato (neste caso os nomes invulgares dos seus filhos) e exagera-o até ao limite, ao mesmo tempo que nos permite participar com uma nova e surpreendente identidade. Ou não me chame eu Blaster Commando ;)

*visto no blog do Package Wichita Palin.

Nofollow: um mal necessário?

paranoiaNa última semana troquei vários emails com uma webmaster na tentativa de a convencer a incluir nofollow nos links externos que os utilizadores adicionam ao seu site.

Os comentários são uma parte importante do site e desde a semana passada os utilizadores registados podem criar links para páginas externas “relevantes” para o tópico.
Ela acredita que as defesas do sistema que previnem, por ora, a criação automática de contas por bots em conjunto com a verificação manual dos links serão suficientes para deter o spam.

Poderá deter as máquinas mas creio que seja suficiente para os spammers humanos. Estes, ao perceberem que poderão obter facilmente links de páginas com algum PR (algumas com PR4) publicarão textos inócuos e sem grande valor, apenas pelo pretexto do link.

Como vai ela definir uma bitola coerente para permitir determinados links e excluir outros? Ou vai manter todos para não se chatear, mas diminuindo a qualidade média dos comentários? Perde ela o tempo e perde o site valor. Usar o nofollow como último recurso perante abusos continuados poderá ter outros custos.

Veja-se o que se passou recentemente com Twitter: os utilizadores revoltaram-se com o facto de o Twitter deixar de permitir que estes incluam um link biográfico na sua página.

O problema está na mudança de trajectória: Se o Twitter tivesse desde sempre incluído o nofollow em todos os links externos esta polémica não existiria.
E é isso que me preocupa: ela tem um site formidável e os comentários são o coração do site (se eu pudesse deixava-vos aqui a url para que pudessem verificar) e quer premiar os membros. Todavia, arrisca-se a que esta generosidade lhe caia em cima, o que diminuirá a qualidade média do seu site e aumentará os seus custos com a manutenção do mesmo.

Propus-lhe que permitisse que os membros colocassem uma url na sua página de perfil. Quantos mais comentários mais links para essa página e mais “sumo” para o link do membro. only the paranoid survive Para desincentivar parasitas sugeri o nofollow por pré-definição, removido assim que o membro fizesse um número mínimo, a determinar, de contribuições.

Que vos parece, estarei a ser paranóico? O site cresceu muito recentemente e o atributo para ligar comentários externos ainda não foi utilizado.
Por outro lado, as palavras de Matt Cutts (chefe da unidade de webspam no Google) numa entrevista cujo link desgraçadamente não encontro, continuam a ecoar na minha cabeça: «Os webmasters devem antecipar como poderão os spammers abusar do seu site no futuro.»

E-Traffic Manager

Esta entrada é da autoria do Christophe Matos. O Christophe é E-Traffic Manager e aceitou o meu convite para apresentar aos leitores do MB uma das funções mais recentes criada no seio das organizações com visão.

O E-Traffic Manager, como o nome indica, é responsável pelo tráfego do website da empresa.

Fui convidado a abraçar o projecto na La Redoute Portugal, desafio esse que aceitei de imediato face a inovação e pertinência com as tendências do marketing actual. De um dia para o outro, o Google e os Adwords passaram a ser os meus melhores amigos, e o Excel o meu braço direito. Em conjunto com a nossa agência, fiquei responsável pela monitorização de campanhas on-line, referenciamento pago, gestão de rede de afiliados, e prospecção on-line.

Quem estudou marketing como eu, sabe que a bíblia dos nossos professores, o Mercator, preconiza que a comunicação divide-se em meios Below e Above-the-line. Esse conceito já morreu, e as empresas que não lhe fizeram o luto dificilmente terão futuro. Uma organização de hoje tem que dividir a sua comunicação em meios On-line e Off-line. A aposta da La Redoute num E-Traffic Manager nasce dessa tendência.

Um bom E-Traffic Manager tem que ser amante de SEO, comunicação/publicidade, e novas tecnologias. Tem que ter óptica de Marketing e ser o que o que o livro “Tipping Point” chama de Mavens: Alguém que conecta pessoas via o conhecimento, criando e alimentando tendências. Um bom exemplo de Mavens é o nosso amigo António Dias.

Portugal não é um país fácil para ser E-Traffic Manager de um site de e-commerce. A maturidade dos cibernautas ainda é reduzida o que complica o poder negocial das organizações com certas plataformas de afiliados, por exemplo. A nossa rede peca ainda pela falta de oferta e aposta on-line. Ainda existe o receio psicológico da compra e a prospecção de clientes vê a sua missão complicada.

O segredo está no lado emocional. Apostar na aproximação ao cibernauta num contexto onde a distância está incrementada. Vender on-line não nos impede de “mimar”. É fundamental habituar os Webmasters a criar ambientes de venda específicos ao alvo e ao mercado. Quem não se lembra de ir ao Continente e encontrar num mesmo espaço saladas, cereais e um pouco mais longe, televisões, sapatilhas e bolas de futebol. Hoje temos a Worten, a Modalfa e a SportZone. Essas iniciativas devem-se a necessidade de criar climas específicos à compra e aumentar os índices de confiança dos consumidores no local de venda. O que aconteceu nas lojas off-line há 10 anos terá que acontecer nos ambientes WEB.

Resumindo um E-Traffic Manager tem que aliar a parte racional e emocional do seu cérebro. A sua função não se resume a aumentar tráfego no seu site, mas sim a aumentar o tráfego qualificado e ajudar a criar clima para transformar visitas em vendas. Para tal, não chega ser o rei do Excel e medir ao dia-a-dia o retorno das suas estratégias de referenciamento pago. É essencial estar atento às tendências de hoje e alimentar a sua criatividade com informação.

Aproveito para agradecer a o António Dias pelas dicas do dia-a-dia. Este blogue é o rosto das tendências de marketing de hoje: We use people to find content, and we use content to find people.

Christophe Matos

Foi um twit que lhe deu

matt cutts no twitter

Um simples twit de Matt Cutts (imagem) foi desculpa suficiente para o Twitter barrar os poucos links externos no Twitter que ainda passavam sumo.
De certeza que o Twitter não se importa nada em canalizar o sumo apenas para as suas páginas e o barulho dos SEOs garantir-lhe-á, havendo necessidade, as simpatias de todos os utilizadores bem intencionados que abominam “esses spammers”.

O Twitter opta assim pela via mais simples em vez de tomar para si a função de crivo e partilhar com os seus utilizadores algum do valor que captura da presença destes. Não era preciso ser muito imaginativo para criar filtro que inutilizasse 99% das contas falsas.

Google Chrome, o browser em cartoons

O Google lança amanhã o Google Chrome, o seu novo browser open Source. O anúncio está no Googleblog, mas não foi esta a forma escolhida pela empresa para dar a conhecer o seu mais recente projecto:

The ultimate blog pitch

Esta semana a Google anunciou o Google Chrome, o seu novo web browser open source, através de um livro de cartoons enviado a Philipp Lenssen.

Se não está ao nível do Google provavelmente não terá blogs de fans para ajudar as suas campanhas de relações públicas, mas este é o tipo de marketing que as grandes marcas devem usar para tirar partido da sua Marca.

Não admira que a marca mais valiosa do mundo gaste «tão pouco» em publicidade.

Site oficial: http://www.google.com/chrome.

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