O SEO de Obama
Hoje e nos próximos dias surgirão múltiplas histórias nos media e blogs sobre o papel instrumental do marketing inovador, particularmente o marketing digital, na campanha, recolha de fundos e presumível vitória de Barack Obama.
Haverá até quem diga, com uma pontinha de exagero, que Obama reescreveu a regras da publicidade!
Algumas das lições do marketing desta campanha estão listadas nesta entrada do Seth.
Os motores de busca foram um dos campos de batalha: ambos os candidatos compraram anúncios para temas relevantes para os seus eleitores e nas suas áreas de relevo. A presença nos resultados orgânicos não foi descurada e veja-se a primeira página dos resultados para o nome do candidato democrata (captura de 12 de Outubro, resultados para um utilizador nos EUA*.)
Captura (tamanho original aqui) para uma busca por barack obama e que já tinha partilhado na minha conta do Twitter.
Na altura Obama tinha 6 dos seus sites na primeira página dos resultados (a captura lista 20 resultados), o que é um feito assinalável, atendendo ao peso e reputação de sites dos media que ficaram para trás.
Outro feito notável, e desta terão de confiar na minha palavra porque me esqueci do site onde encontrei a informação, foi a gestão de reputação nos resultados do senador do Illinois: Obama utilizou alguns dos seus sites e subdomínios para responder às críticas e, servindo-se da autoridade dos seus sites, posicionou-os nos resultados de forma a que as suas respostas e ideias fossem as primeiras que os visitantes e eleitores encontrassem nos resultados.
*Os resultados no Google são hoje, por motivos evidentes, diferentes do que eram há um mês atrás e diferem consoante a localização geográfica e o site do Google acedido.
Uma Visão Anacrónica
Se este banner fosse animado poderia perfeitamente passar pela cobertura das eleições de há oito anos atrás:

De uma artigo na Visão sobre as eleições americanas.
Longe de mim sugerir que o link devesse ter um texto âncora “perfeito” eleições nos EUA. Para o que se pretende uma chamada de acção seria provavelmente ideal: Clique aqui para o especial….
De um “clique na imagem” é que não estava à espera num site tão bem desenhado e moderno (se ignorarmos o SEO) como o da Visão.
A Teoria e a prática
Na semana passada a Roberta deixou este comentário no artigo sobre RP e SEO que publiquei no Relações Públicas:
“Dei uma lida neste artigo do António, tem tudo a ver com a minha tese!”
A Roberta pensa abordar as “Online Public Relations” na sua tese e poderá tirar partido de alguns dos textos que aqui publiquei. Existem inúmeras referências para as páginas do site documentos arquivados no disco de computadores e, se a memória não me atraiçoa, num par de casos esses documentos encontravam-se arquivados em pastas com nomes como “tese” ou “mestrado”.
Se o leitor pensa utilizar informação dos artigos do Marketing de Busca para trabalhos escolares pedia-lhe duas coisas:
- que me envie uma cópia e, se o entender, autorização para o divulgar no blog.
- que verifique o que é escrito com outras fontes. Não só as técnicas partilhadas se desactualizam rapidamente como muitas das teorias publicadas em blogs, fóruns e afins têm por vezes uma relação difícil com a realidade e, quando postos à prova, os promotores ficam aquém das expectativas.
Um bom exemplo são as recentes polémicas e pesadelo de relações públicas associado envolvendo uma das empresas e autor que melhor se movimenta no mundo dos blogs, e aos quais eu reconhecia elevada autoridade nesse campo.
Mau serviço como táctica de link building
Um dos assuntos recorrentes nos blogues e fóruns são as queixas de empresas que prestam mau serviço ao cliente. Muitas empresas, sobretudo as mais sensíveis a questões de reputação, monitorizam o que delas é dito com intuito de agir rapidamente sobre a situação e desta forma minimizar os custos. Custos esses que podem ascender a milhares de euros.
Este comportamento de bloggers e membros de fóruns nem sempre tem os efeitos nefastos pretendidos pelos seus autores e pode, em determinadas situações, ter efeitos contraproducentes. Veja-se o relato que é citado no Seroundtable (tradução minha):
Aparentemente, um dos meus concorrentes enganou muita gente. Webmasters e membros de fóruns postam artigos como “Cuidado com xyz. Ficaram-me com meu dinheiro e nunca mais ouvi falar deles!” xyz é uma palavra chave extremamente criativa. O site de xyz é realmente muito mau para vender xyz, mas ainda assim eles aparecem em segundo nos resultados.
Na realidade, porque eles recebem esses links com esse texto-âncora eles podem enganar ainda mais gente!
Ao ligar para o site chamado xyz com o texto âncora xyz (o que é natural, é esse o nome do site) este vai ter melhor posicionamento nos resultados da palavra chave xyz (e termos associados) e dessa forma ser visto por mais pessoas que procuram por xyz. De certeza que não era essa a intenção de quem primeiro colocou as suas críticas.
Os motores de busca contam todos os links, cada qual com seu peso e medida mas indiferentes a se tratar de uma recomendação ou crítica.
Esta táctica poderá ser melhor explorada por algum site menos conhecido com um nome rico em palavras chave (como é o caso) e para o qual a reputação offline não seja importante.
Por isso, se o que pretende é alertar outros consumidores para a sua experiência negativa com alguma empresa tenha em atenção o texto âncora do link. E se o que se pretende é recomendar que evitem a empresa ou produto X o melhor será não ligar o respectivo site.
Na publicidade diz-se, em forma de desculpa pelas campanhas que correm mal, que não importa se falem bem ou mal desde que falem. A mim também não me ouvirão dizer que há maus links.
Como Procurar na internet
Há dias, John Battelle falava da necessidade da “literacia de busca”. Muitos dos que utilizam a internet não fazem a mínima ideia de como procurar na internet e nem por sombras ouviram falar nos operadores colocados à disposição pelos motores de busca.
Este vídeo que um leitor me enviou, vem mesmo a calhar: explica, de uma forma simples e concisa como procurar nos motores de busca.
Um excelente recurso para enviar aos membros da família com mais dificuldades em apreender as novas tecnologias.
Para o leitor, que já sabe como utilizar os motores de busca fica a promessa de uma entrada, para breve, sobre operadores avançados de busca. (Uma das primeiras entradas que aqui publiquei, “como procurar pelo seu nome” desapareceu, estranhamente, blog. Se estiver impaciente,a entrada faz parte do Ebook.)
Nota: Mullet (citado no vídeo) tanto pode ser um salmonete como um penteado.
Recebeu um Cupão oferta do Google Adwords? Não há dinheiro grátis
Nas últimas semanas o Google enviou cupões oferta do Adwords no valor de 100 Euros aos utilizadores dos seus serviços de email e de Estatísticas. Outros webmasters recebem cupões na contratação de alojamento para os seus sites.
Estas ofertas são frequentemente encaradas por webmasters como um tiro de sorte ou uma raspadinha, e por isso gastas de forma negligente. O pior é quando esta negligência se traduz em vícios dos anúncios que poderão custar dinheiro aos anunciantes.
O meu conselho a quem recebe um cupão é o de que encare esta oferta como um investimento em formação. Quantas horas ou minutos valem para si 100 euros? Então use esse tempo para apreender o adwords e afinar as suas campanhas. Dessa forma evitará pagar o imposto da ignorância.
Se agora se inicia ou se nunca prestou muita atenção à optimização dos seus anúncios então estas 5 dicas poderão ser um importante ponto de partida para as suas campanhas:
1. Use as ferramentas de selecção geográfica
Muitos anunciantes não sabem, outros parecem não se importar muito, mas as campanhas são exibidas globalmente, incluindo mercados que não têm qualquer interesse. Por exemplo, no Brasil.
As opções do Adwords permitem-lhe, não só dirigir as campanhas a um país, como inclusive limitar a área geográfica para apresentação dos anúncios.
2. Separe os anúncios nos resultados dos da rede de conteúdos
Os anúncios do adwords não surgem apenas nos resultados do Google: eles surgem também em sites de parceiros de busca (outros motores de busca) e em sites da rede e conteúdos - basicamente sites que incluem anúncios Adsense.
Se ainda agora se inicia limite-se a anunciar nos resultados do Google e talvez nos parceiros. Se já está à vontade a criar e gerir anúncios e deseja anunciar em blogs e sites como este crie uma campanha separada para a rede de conteúdos.
Dito uma forma simples, a eficácia (ou falta dela) de uma campanha numa das redes poderá influenciar o preço e a visibilidade nas outras.
3. Use palavras chave exactas, evite combinações amplas
Uma combinação ampla permite que o Google coloque os seus anúncios sempre que a sua palavra chave surgir. Neste exemplo, os anúncios da Toyota são apresentados pese embora a busca incida sobre “motores de busca”:

Se não tem bolsos fundos como a Toyota então o melhor será limitar as suas palavras chave aos termos exactos que lhe dizem respeito. É perfeitamente razoável utilizar combinações amplas mas deve para isso exercer uma rigorosa vigilância e definir um orçamento aceitável.
4. Bloqueie anúncios em domínios estacionados
Domínios estacionados são sites que servem apenas anúncios aos visitantes que lá chegam por engano. Se o seu site é tal que alguém que chega à procura de um site ou de uma página possa ser convertido em cliente então beneficiará destes anúncios.
Caso contrário, siga estas instruções para bloquear a presença dos seus anúncios neste tipo de sites.
5. Use de um orçamento diário razoável.
Ao criar e refinar as suas campanhas verifique que o seu orçamento não é gasto ao fim de algumas horas: este é um erro frequente e que significa que o preço de muitas palavras chave desce significativamente ao fim do dia.
Com o tempo poderá avaliar o retorno por cada clique e qual o valor esperado por clique para ajustar o seu valor de licitação. Certifique-se que o seu orçamento diário lhe permite colocar anúncios durante as 24 horas.
Poderá encontrar mais informação sobre anúncios contextuais na categoria Adwords.
O Google faz bem ao cérebro?
Quando há uns tempos se debateu se o o google nos está a tornar estúpidos estava ainda longe de imaginar que seria a ciência a contradizer a argumentação de Carr.
Neurocientistas da Universidade da California descobriram que procurar na internet exercita mais a mente do que ler e é similar a completar um puzzle ou palavras cruzadas.
Brain scans showed that going online stimulated larger parts of the brain than the relatively passive activity of reading a novel or non-fiction book.
It was so stimulating that the authors of the study believe it could actually help people maintain healthier brains into their old age.
“The study results are encouraging, that emerging computerised technologies may have physiological effects and potential benefits for middle-aged and older adults,” said principal investigator Dr. Gary Small, a professor at the Semel Institute for Neuroscience and Human Behavior at University of California.
“Internet searching engages complicated brain activity, which may help exercise and improve brain function.
Artigo no Telegraph. Obviamente que não é o Google que nos fará mais espertos, mas vale a pena argumentar nesse sentido?
O Zé no WP
Já devem saber que José Saramago, aos 85 anos, iniciou recentemente o seu blog.
O que talvez não tenham notado é que, não só o blog usa tecnologia wordpress ,como está alojado no wordpress.com, em serviço de mapeamento do domínio.
Os blogues não têm lições de ética a receber da imprensa
No outro dia, Miguel Esteves Cardoso disse na TSF que (os blogues) “têm um brio na apresentação, (…) têm uma educação entre eles, e uma ética que eu acho que nunca houve na imprensa portuguesa (…) os blogues estão muito à frente da imprensa.” (via Daniel Oliveira.)
Não estou certo que seja bem assim, mas conheço uma área onde os meios de comunicação poderiam aprender com os principais blogs: a publicidade.
Banners não sinalizados, links de patrocinadores disfarçados na navegação, links afiliados nas páginas e por entre os artigos. Sim, falo de links pagos à comissão ou por clique disfarçados nos conteúdos; e sim, falo dos sites de alguns dos principais jornais e rádios de Portugal.
Infracções ao Código de Publicidade
Comecemos pelos banners publicitários. Um aspecto curioso é a aparente dualidade na apresentação dos banners. Quase todos os sites que visitei sinalizam alguns dos seus banners com termos como “Pub” ou “Publicidade” enquanto outros são apresentados sem qualquer menção à sua natureza publicitária.
Qual será o critério? Será por o pagamento depender de uma comissão (links para sites de jogos) ou por se anunciar serviços do portal onde o site está alojado (clix)?
Pode-se argumentar que os visitantes já estão habituados a associar banners a publicidade, o que será provavelmente verdade, mas não explica o critério selectivo.
Também não satisfaz as regras a que estes meios de comunicação estão sujeitas no código da publicidade. O código, no seu artigo 8º, é taxativo:
A publicidade tem de ser inequivocamente identificada como tal, qualquer que seja o meio de difusão utilizado.
Links patrocinados avulsos
Uma prática bastante comum é a inserção de links publicitários no site. Não se tratam de links para aldrabar o algoritmo do Google, como fez em tempos o The Economist, mas de links para produtos e serviços. Veja-se este exemplo no topo do site do JN:
O mesmo se passa com outros sites do grupo: DN, TSF, para citar os mais conhecidos. Já O Jogo prefere colocar o link no final do artigo:
Será o vermelho uma forma de “identificar inequivocamente” a natureza desta recomendação?
O mesmo link surge no Record incluído numa discreta caixa de publicidade, de acordo com o citado artigo do código da publicidade.
Links na Navegação e Conteúdos
A Bola reformulou recentemente o seu site. Apontará o link em destaque na imagem para uma secção do site dedicada a um dos seus patrocinadores?
Não, não aponta. É um link afiliado que conduz os visitantes a um site de apostas.
Em matéria de links afiliados o campeão é a TSF: Nas páginas da rádio encontram-se links no topo, a barra lateral lista vários links afiliados, e, inacreditável, também há links afiliados nos artigos.
Os links na barra lateral e nos artigos são pagos ao clique e, pelo que pude verificar, não existe sequer na página qualquer declaração de interesses. Tais práticas foram recentemente criminalizadas no Reino Unido e, se ainda não o são em Portugal, devem sê-lo em breve uma vez que esta medida decorre de legislação europeia.
É verdade que o mesmo pode ser visto em alguns blogues e sites mas, que se saiba, em nenhum que reclame para si o estatuto de orgão de comunicação referência. Os sites que aqui refiro pertencem tão só aos jornais e rádios mais lidos e respeitados do país.
Spammers “marcados” nos resultados de busca do Yahoo
Há já algum tempo que os motores de busca alertam os utilizadores para possíveis consequências de clicar nos resultados, por exemplo, se o site é perigoso.
O Yahoo foi um pouco mais longe e está agora a alertar os utilizadores para uma outra prática deceptica: a recolha de emails de utilizadores para abuso ou revenda. VPor exemplo, nesta busca:

E seguindo o link encarnado, é fornecida a explicação do siteadvisor:
“After entering our e-mail address on this site, we received 2.4 e-mails per week. They were very spammy.”
Como diz o Patrick, isto poderá reduzir o tráfico orgânico do Yahoo para o site a 10% do que seria de esperar.
Quem recolhe e vende emails nos seus sites que se ponha a pau; será só uma questão de tempo até o Google seguir o exemplo do Yahoo.
10 anos de Google. Como serão os próximos 10?
10. Um número redondo a merecer celebração. O Google é a marca mais valiosa do mundo e não vejo quem lhe possa fazer sombra no futuro próximo. E são apenas 10 anos. Parafraseando o Bastos, «onde estavas tu no 27 de Setembro de 1997»?
Para celebrar a data recolhi algumas citações de alguns textos que merecem leitura e que sugerem que os próximos 10 anos serão bastante mais controversos para o gigante de Mountain View. Escolhi-os porque gosto do Google e gostaria que estes pronúncios fossem em vão.
The omnigoogle (Nick Carr):
God or Satan? When you control the economic chokepoint of a digital economy and have complements everywhere you look, it can be difficult to distinguish between when you’re doing good (giving the people what they want) and when you’re doing bad (squelching competition)
Stuck in Google’s Doghouse (NYTimes):
As Mr. Savage saw it, Google’s near monopoly in search ads (its market share is approaching 70 percent) put it in a position to decide which business models it would tolerate and which ones it wouldn’t. “Google can use AdWords to pick winners in every category,” he told me.
The Google search advertising cartel (Seobook):
Sideline projects, like their book scanning project, turn into a treasure for librarians and researchers who guide others to trust Google. Syndicated products and services like their book API nearly create themselves as an off-shoot of creating indexable searchable content.
Googleolopy (Cleland, o autor, é lobista ao serviço das telecoms):
Google arguably enjoys more multi-dimensional dominating efficiencies and network effects of network effects of any company ever
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